Forum of the Future, 2019

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The Fórum do Futuro invites two leading figures in the fight for indigenous rights and protection of the Amazon rainforest to take part in this conversation: Sônia Guajajara, currently one of the most prominent indigenous leaders and environmental activists – a member of the UN Human Rights Council and the first indigenous woman to run for vice-president on the presidential elections in Brazil – and visual artist Ernesto Neto, whose artistic practice has focused on the importance of a project of indigenisation. In this debate moderated by the artist Rita Natálio, they will discuss how it is essential for the voice of indigenous peoples to be heard and to play an active role in governance models. The Earth is the spirit and body of indigenous people – they have the knowledge to heal the forest and advance the struggle for a healthy planet. One glimmer of hope is the fact that the indigenous women’s movement has grown exponentially over the past decade. Joênia Wapichan was the first indigenous woman to be elected a federal MP, and Nara Baré was the first woman to be elected Coordinator of COIAB (Coordination of the Indigenous Organizations of the Brazilian Amazon).

https://www.forumofthefuture.com/en/programme/

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2019, Futurologia

Poesia, RECENT, Uncategorized

No futuro, as palavras serão as mesmas mas as relações entre as palavras serão totalmente diferentes. Onde se lia humano e humanidade, ler-se-á aquele que partilha a biosfera, seja de que forma for, seja de que tamanho for, seja de que espécie for. A palavra espécie assim como a palavra género serão sucata terrestre, lixo, restos de um poder exercido que perde o sentido à medida que se identifica (não se identifica, identivai-se). Onde se lia violência, ler-se-á predação, porque antes foi lido desigualdade e hierarquia. Seremos pela predação porque esta ocorrerá como regulação sofisticada de posições políticas dos seres, como jogo de viver e morrer que ninguém controla, como superação da homofonia entre as palavras lei e rei. Por outro lado, onde antes se dizia bio falar-se-á geo e nem mesmo o vivo será separado do não-vivo, porque onde se gritava antropofagia!, será afirmado geofagia!, capacidade de ingestão do não-vivo, do profundo pacto com as rochas. Terá especial cuidado quem estiver morto. Terá especial cuidado quem estiver vivo. Abrir o coração e sentir o corpo vivo, como antes se fazia em bares ou camas, será a especialidade dos geofágicos, dos que passam entre a vida e a morte como entre gotas de chuva [ou balas], dos que chupam e são chupados pela terra. Entre a vida e a morte teremos dificuldade em estabelecer fronteiras porque a palavra fronteira ficará gradualmente manchada por títulos funestos: colónia, império, reinado, família. Assim, onde antes existiam checkpoints para delimitar separações, surgirão lugares imensos entre-as-coisas, purgatórios queer, ou tão-só reservas-ilimitadas-sobre-o-que-ainda-não-se-sabe-e-tão-pouco-se-quer-saber. Para aumentar essas reservas serão reaproveitados aeroportos, parques de estacionamento e outros espaços que simplesmente perderam o sentido. O regime de extração da terra estender-se-á às fontes minerais dos corpos humanos, e essas reservas servirão essencialmente como depósitos de cálcio, fósforo, ferro, sódio, enxofre, potássio ou zinco para o financiamento de novas estruturas vertebrais do tempo, i.e., [passado = estrela + osso] ou [presente = enxofre + futurozinco]. Se algumas situações continuarão a reenviar-nos para um sistema tradicional de formas teimosas, nessas reservas (dos lugares entre lugares) será possível amar o transfóssil, jogar à nova humanidade enquanto se fura a casca de um ovo, deslizar e sobreviver, beber cocktails de saliva com os microsseres das nossas línguas. A linguagem será então uma constante luta pela demarcação de novos povos, enquanto corpos se abrem à polimorfia. Farrapos humanos que sofreram no passado atrocidades petroquímicas (por exemplo, a violação da terra pela busca de sangue preto [= petróleo]) ou atrocidades sociotóxicas (por exemplo, o abuso de pessoas de pele escura [= racismo]) poderão recorrer a tratamentos vários para a cura e desintoxicação política intersexo. Então, onde se lia estratosfera, será lido extratosfera, pela combinação entre extração e atmosfera. Identificar-se-á uma parcela de dor entre palavras, sons e ritmos, como quem extrai da boca um dente [ente], como quem reconhece a drenagem de recursos sanguíneos, como quem reconhece a transformação de certos corpos em objetos. De maneira geral, quem orientará a realidade já não será aquele serzinho de duas pernas que diz olá e adeus, aquele antigo boneco da humanidade que dependia da palavra universal e desejava para o futuro testes de escolha múltipla. Esse boneco, depois de reformado e cosido com novos botões, será entregue ao cozimento da panela (gritaremos antropofagia!), erguer-se-á novo [ovo] para liberar homúnculos quiméricos da biosfera (gritaremos geofagia!). O boneco cozerá por séculos, enquanto nada, em nenhum momento, em nenhum lugar, caso, casa, hipótese, passado, presente, narrativa, acontecimento, futuro, projeção – de maneira alguma e sob que circunstância for – poderá ser [ou tentar-se fazer passar por] universal. Ao lado de cada polihumano, existirá um armário, uma gaveta, um planeta, um peixe, um tronco ou uma coisa extremamente localizável, muito singular, muito preta, muito amarela, muito dorida, muito fodida, a assistir a uma reunião sobre o futuro humano ovo. E ela gritará no meio dessa reunião: “Aqui não sou representada!”; “Aqui não podemos concordar sobre coisas básicas!”; “Aqui não podemos ter a certeza de que somos todos humanos!”; ou “Aqui fala-se a língua da desconfiança!”. Essas reuniões servirão sobretudo para nos lembrar como funcionava a política antiga e como ela continua a viver no futuro com novas roupagens. As contradições entre o novo e velho, agora chamadas de mitologia expandida, não deixarão de se fazer notar. Assim, dentro da forma humana, as deformações ocorrerão: problemas de pele, cancros, vaginites, clitóris triplos, cérebros calcificados. O passado surgirá sobre a forma de metástases, indicando a necessidade de tratamento por expansão mórfica. Já do lado de fora da forma humana, será a foda universal: bactérias expressivas, cálcio eufórico, política celeste, violência panpsíquica. Fazer um mapa dessa humanidade será então como traçar com as pontas dos dedos: as impressões digitais apagam-se para fazer o tal mapa. Aliás, existirá porventura a palavra forma no futuro? Não será tudo desígnio da predação que, qual sistema futurológico, implicará a constante negociação do que significa ter uma forma? Sonhar com pedras ou pronomes indicará o caminho de mudanças físicas concretas e toda a cartografia será como desenhar na areia das multinaturezas, contínua des-informação das formas ou tão-só uma língua que não consegue passar pelo ralo.

[A partir de um excerto da performance-conferência Geofagia (2018) da autora.]

Publicado em Coreia. –Coreia é um projecto editorial de carácter artístico, crítico e discursivo, a propósito das artes em geral, firmado numa relação umbilical com a dança. Independente, experimental e internacionalista, o jornal, de tiragem semestral e distribuição gratuita, está focado no discurso produzido pelas obras e pelos artistas, e preocupado em divulgar formatos vários como partituras, manifestos, entrevistas, crónicas, ensaios, críticas e reflexões em língua portuguesa. Coreia é impresso e distribuído em papel em todo o território nacional. A cada nova edição, é disponibilizada online a edição anterior.

2019 | AMERÍNDIAS: PERFORMANCES DO CINEMA INDÍGENA NO BRASIL

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ed.______, uma chancela composta por duas colecções – “Série” e “Sequência” -, resulta da colaboração entre o Teatro Praga e a editora Sistema Solar.

A coleção “Série” divulga o património imaterial das artes performativas contemporâneas. A coleção “Sequência” organiza-se em livros temáticos oriundos de diversas disciplinas, que ofereçam uma reflexão sobre sistemas de poder e protesto na atualidade.

Sob a coordenação de Rita Natálio e André e. Teodósio, “Ameríndias: Performances do cinema indígena no Brasil” foi publicado na sequência da “Mostra Ameríndias: Percursos do cinema indígena no Brasil“, uma iniciativa da apordoc – associação pelo documentário, que teve lugar entre dia 13 e 17 de Março de 2019, no Museu Calouste Gulbenkian – Colecção Moderna.

Textos | Isael e Sueli Maxakali, Manuela Carneiro da Cunha, Estela Vara, Els Lagrou, Eduardo Viveiros de Castro, Dominique Tilkin Gallois e Vincent Carelli, Alberto Alvares, André Brasil, Gilmar Galache, Marco Antonio Gonçalves, Aparecida Vilaça, Ailton Krenak, Rita Natálio, Rodrigo Lacerda, Pedro Cardim, Susana de Matos Viegas, Miguel Ribeiro
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