SUB-REPTÍCIO (corpo clandestino)

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O Artaud disse: “É preciso dar ao ser humano um corpo sem órgãos, só assim o libertaremos de todos os seus automatismos e o restituiremos à sua verdadeira liberdade. Voltaremos então a ensiná-lo a dançar do avesso e esse avesso será o seu verdadeiro direito”. 

A Emma Goldman parece que disse: “Se eu não puder dançar na vossa revolução, então não vou”. 

O Espinoza perguntou: “O que pode um corpo?”. 

Estas são as palavras de ordem do trabalho colectivo SUB-REPTÍCIO (corpo clandestino), que no São Luiz assinala conjuntamente o Dia da Liberdade e o Dia Mundial da Dança, e que leva os seus criadores-intérpretes a transitar para uma sub-região (o sub-palco) e a expor uma ideia de dança: uma dança do corpo todo e de tudo o que o rodeia, que tudo absorve para existir, que tudo cruza e entrecruza, que não separa o corpo do espírito. Que nos diz respeito a todos e que é tu cá tu lá para todos porque todos temos corpo. E experiências com esse corpo: de espaço, de tempo, de liberdade.

Estas premissas levam à conclusão de que este deve ser um trabalho onde todos possam viver de igual forma a liberdade do seu próprio corpo. Assim, SUB-REPTÍCIO (corpo clandestino) é um convite ao corpo nu, onde usar roupa é opcional para o espectador. Os artistas propõem-se a, e propõem aos espectadores, praticar a nudez e experimentar algo que raramente temos oportunidade de experimentar na nossa sociedade: a nudez sem corar, a nudez sem vergonha, a nudez sem constrangimento. Lançam-nos um desafio: sentirmo-nos literalmente bem na nossa pele, na nossa pele toda, na pele que temos. Querem despir (nem que seja por uma hora) uma sociedade que tudo cobre e tudo cobra. “‘Vergonhas'”, afirmam, “não são o nosso sexo ou qualquer outra parte do nosso corpo. As verdadeiras vergonhas são: a especulação financeira; a destruição do planeta e das diversas economias nacionais pela ganância global desenfreada; as corporações e as finanças globalizadas governando o mundo, não sujeitas a sufrágio e substituindo-se aos governos democraticamente eleitos; as filosofias de grupos de pensamento económico tipo Bilderberg ou Sociedade Mont Pellerin, verdadeiros predadores mundiais; o pensamento e práticas de Milton Friedman, expoente destes grupos e ídolo do nosso Ministro das Finanças Vítor Gaspar; etc…”.

Esta será assim uma dança despida, desformatada, desautorizada, desautorizante, clandestina, estridente e talvez, por isso, possível.

Concepção, Co-criação e Interpretação Ana Borralho & João Galante, Joclécio Azevedo, Rita Natálio, Vera Mantero
Co-criação e Interpretação António Júlio, António Pedro Lopes, Catarina Gonçalves, Cátia Leitão, Elizabete Francisca, Francisco Camacho, Gustavo Ciríaco, Tiago Gandra
Desenho de luz Nuno Meira
Sonoplastia Rui Dâmaso
Assistência a produção Mónica Samões e Isabel Pinto Coelho

Co-produção O Rumo do Fumo / SLTM

O Rumo do Fumo é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal/Secretário de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes.

READ THE ENGLISH VERSION

SURREPTITIOUS (clandestine body)

Artaud said: “When you will have made him a body without organs, then you will have delivered him from all his automatic reactions and restored him to his true freedom.  They will teach him again to dance wrong side out as in the frenzy of dance halls and this wrong side out will be his real place.”

Emma Goldman apparently sad: “If I can’t dance, I don’t want to be part of your revolution.”

Spinoza asked: “What can a body do?”

These sentences set the motto for the collective work SUB-REPTÍCIO (corpo clandestino) at Teatro São Luiz – noticeably between the World Day of Dance and Portugal’s Freedom Day – leading its creators-performers to move into a sub-region (the understage). There, they put forth an idea of dance: a dance of the whole body and all that is around it; absorbing everything in order to exist; crossing and criss-crossing everything; not separating body from spirit. A dance that concerns everyone and which is close and immediate to each one of us as we all have a body, as well as bodily experiences of space, time and freedom. These starting points led to the conclusion that this should be an occasion in which each and everyone can equally live their body’s freedom. Therefore, SUB-REPTÍCIO (corpo clandestino) is an invitation to the nude body and in which wearing clothes is optional for the audience. The creators commit themselves to nudism, similarly inviting the audience to engage in something we rarely have the chance to experience: nudity without blushing, nudity without shame, unconstrained nudity. Neither our sex nor any other part of our body is a reason for shame. What is truly a shame is uncontrolled financial speculation, the destruction of our planet through rampant global greed, the ruling of the world by corporations and financial markets.

Concept, co-creation, performers: Ana Borralho & João Galante, Joclécio Azevedo, Rita Natálio, Vera Mantero

Co-creation, performers:António Júlio, António Pedro Lopes, Catarina Gonçalves, Cátia Leitão, Elizabete Francisca, Francisco Camacho, Gustavo Ciríaco, Tiago Gandra

Sound Design: Rui Dâmaso

Light Design:Nuno Meira

Co-production: O Rumo do Fumo / SLTM

Production Assistance: Mónica Samões e Isabel Pinto Coelho


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